Refletindo sobre a frase de happy hour
No meio de uma conversa no Happy Hour Ágil na qual discutia os problemas intríncecos do conceito de "projeto" e como ele é incompatível com desenvolvimento de software, pregando a sua substituição pelo conceito de "produto" soltei essa:
"Projeto tem começo, meio e... foda-se"
Alguém já deve ter dito isso em algum momento (não encontrei no Google, se não está lá, será que existe?), mas foi muito espontâneo. Eu gosto das frases espontâneas, elas parecem vir direto do subconsciente que é bem mais esperto.
É uma frase forte*, mas passa a ideia do sentimento que temos ao entregar (quando conseguimos) o que o projeto se propôs. Como um projeto é uma iniciativa temporária de um determinado grupo de pessoas para atingir um resultado único, não há um cuidado com o que vem depois, mesmo quando há sucesso e ficar encadeando projetos é insano.
O aprendizado entre projetos é muito difícil, dado que equipes mudam e quem trabalhava no anterior quer se livrar do fardo e quem está começando o novo não tem vivência com o assunto para dar valor ou mesmo para compreender os ensinamentos. Toda uma cultura e linguagem se perde.
Eu prego o uso do conceito de produto, um produto visto como algo que nasce, atinge seu mínimo viável e evolui ao sabor do contexto no qual está inserido através das mãos de pessoas que possuem um relacionamento caloroso com ele.
Dessa forma, acredito que o menos pior projeto que pode ser feito é justamente um projeto de implantação do processo de criação e evolução do produto. Esse projeto tem como resultado o primeiro rascunho executável do processo**. Entregue esse rascunho, o projeto morre e tanto o produto quanto o processo entram em PDCA.
Em julho palestrei no TDC2011 na trilha de ALM falando sobre isso. Os slides estão longe de conter todas as informaçõees da palestra, mas dão uma boa ideia dos argumentos principais: http://blog.claudiobr.com/slides-da-palestra-vantagens-e-meios-de-conve
Aliás, em novembro vou palestrar no BABRAZIL em Porto Alegre. Não perca!
* tudo bem que esse verbo perdeu bastante do seu impacto dos anos 80 pra cá. Lembro que em 88, aos 10 anos eu fiz uso dele na mesa do almoço e fui duramente reprimido pela minha mãe que perguntou: "onde você aprendeu isso piá???" e eu respondi: "com o pai, quando ele falou como estava o trabalho no banco". Meu pai surpreso disse "eu não, eu não falei isso!".
** pensando bem, dá para fugir de um projeto ali também. Basta considerar que o processo é um produto em evolução (algo muito salutar) e instituir que a primeira versão do processo é o mínimo produto viável desse processo.