Quem é você?

Em 33 anos de estrada eu tive a oportunidade de jantar de graça em diversas formaturas de graduação. Você conhece o esquema: vai de terno, faz tudo para que o formando parente/amigo veja você na cerimônia (o “preço” que você paga) e se manda para a janta.

Além de me divertir perguntando para as pessoas se estão com o noivo ou com a noiva, eu gosto de prestar atenção aos discursos dos formandos e costumo notar três coisas:

- Um formando discursa dizendo que não há nada mais importante do que a família.

- Em seguida outro formando discursa dizendo que não há nada mais importante do que os amigos, afinal, são a família que escolhemos (uma variação ou adição é aquele que depois de tudo isso fala que os professores são mais importantes do que pais e amigos).

- Depois, outro formando, ou o coordenador do curso fala da importância dos profissionais daquela área para a construção de um grande país.

Os primeiros discursos são bem ilustrativos sobre os perigos do trabalho distribuído, afinal, textos (e software) escritos em separado tendem a não fazer muito sentido quando reunidos.

Contudo, é o terceiro discurso que me chama mais atenção, pois nunca ouvi alguém dizer algo como “os profissionais da ostaralogia unindo forças com os arquitétipos e ninstraloptistas em busca de um país melhor”. 

No discurso, o ostaralogista está sempre sozinho resolvendo os problemas, inovando e fazendo acontecer. De fato, estou acostumado a ver profissões crescerem negando as outras para garantir o seu espaço no mercado e não vejo um país melhor saindo desse comportamento.

Uma das conseqüências desse comportamento de proteção da área de conhecimento é a concentração do seu domínio nas mãos de apenas um tipo de profissional.

Temos profissionais de marketing (tenho habilitação em marketing na minha graduação), contudo, sabemos que marketing é uma área de conhecimento que só faz sentido se aplicada em toda a organização, pois marketing é tudo o que você faz na organização para evitar ter que empurrar seu produto para os clientes (definição do Drucker adaptada).

Um exemplo ainda mais claro é a administração de empresas. Eu sou formado em administração, mas acho que você concorda que administrar é algo que todos fazem em maior ou menor grau dentro de uma organização, certo? 

Ou seja, estudar marketing, estudar administração é algo muito legal. Estou cansando de ver gente sem conhecimento dessas áreas fazendo barbaridades nos negócios, contudo, se apropriar do marketing e se apropriar da administração não é legal.

E quanto à análise de negócios? Bom, se abri mão da falsa propriedade a qual eu teria direito sobre a administração de empresas em virtude do meu registro no CRA em prol de incentivar que todos estudem negócios, dá para ter uma idéia da minha posição em relação à análise de negócios: a mesma.

É por isso que parei de falar em “analista de negócios” e passei a falar em “análise de negócios”. 

Ocorre que os discursos que ando escutando na comunidade estão cada vez mais parecidos com os discursos das formaturas.

O quê dizer então? Quem é você? 

Bom, recentemente eu fui bater um papo com um especialista em redes sociais, cheguei e disse algo como “oi, então você é o especialista em redes sociais daqui?”, polidamente ele disse “não, eu me considero um entusiasta do assunto. Nossa comunidade considera que é impossível ser especialista em algo que muda tanto”.

Como pode uma palavrinha mudar tantas coisas? Pois é… Ser entusiasta revela que você está empolgado, mas aceita que o assunto de interesse é muito grande ou dinâmico para que você possa compreendê-lo a ponto de se considerar – e o mais difícil, permanecer – especialista. Por outro lado, ser entusiasta te liberta da pressão que os especialistas sofrem de constantemente impor a sua especialidade sobre as demais para que o investimento na especialidade dê retorno positivo. 

Entusiasmo é algo que passa, e não tem problema se passar. Menos amarras, melhores soluções para os problemas que a vida e os negócios nos apresentam.

“Espécie de exaltação que anima um escritor, um artista: entusiasmo poético.Grande demonstração de alegria: acolher com entusiasmo.Admiração apaixonada, ardor, veemência: falar com entusiasmo de um autor.”

Não dá para falar em análise de negócios sem pensar no IIBA. Vamos lembrar o quê CBAP significa? “Certified Business Analysis Professional”. Esse nome é poderoso, ele diz que você é um “profissional de análise de negócios certificado”.

Nem mesmo um profissional certificado pelo IIBA é necessariamente um analista de negócios. Eles falam no BABOK que os praticantes de análise de negócios vem de diferentes áreas e tem diferentes cargos no crachá, o que é ótimo.

Acho a missão do IIBA boa: “The mission of IIBA® is to develop and maintain standards for the practice of business analysis and for the certification of its practitioners”.

Contudo, a visão “Our vision is to be the leading worldwide professional association for Business Analysts.” é contraditória em relação à missão.

Você ajuda, incentiva e certifica praticantes independente da sua área ou crachá, contudo, você deseja se tornar uma associação voltada para um público específico, praticamente para pessoas que tem o cargo de analista de negócios.

Esse tipo de coisa age no subconsciente e impede que muita gente se associe.

Bem, independente do IIBA, de agora em diante, me apresento como grande entusiasta da análise de negócios. Minha missão é estimular a prática da análise de negócios pelos mais variados entusiastas, independente do crachá.

Certified Business Analysis Enthusiast? Hum…

 

Uma ideia sobre “Quem é você?

  1. Entendo a sua forma de ver as coisas, Claudio. Principalmente porque vc entende de AN, respira AN, e leva todos à sua volta fazerem AN. Mas acredito que na vasta maioria das organizações brasileiras, para que AN se espalhe e faça parte do dia a dia de todos (ou quase todos) os profissionais da empresa, será preciso primeiramente que todos entendam o que á Análise de Negócios. Ainda não chegamos neste estágio… Até lá acho super válido termos Analistas de Negócios nas empresas pra chamar atenção para práticas de AN. Se não tiver um responsável por fazer isso, AN não acontece.Sou entusiasta da análise de negócios, estimulo a prática de AN, e também me considero Analista de Negócios de carteirinha, CBAP e tudo :-)

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