A Cigarra e a Formiga
No bosque havia uma cigarra faceira, vivia cantando e batendo papo por aí, conversava com quase todos, menos com as formigas que passavam o verão todo carregando comida para seu formigueiro.
Um dia a cigarra abordou uma formiguinha e perguntou “por que você passa o dia carregando comida para sua casa?”, “para termos o que comer durante o inverno”, respondeu a pequenina, “e você faz o que mais da vida?”, “eu leio sobre como carregar mais comida por viagem, como e descanso para o trabalho do dia seguinte”, “sério? Uau, quer fazer uma pausa para tocar uma musiquinha e relaxar?”, “não posso, nossa metodologia de trabalho me impede de parar dentro do turno de trabalho, nem devia ter parado para falar com você, afinal, estou cheia de trabalho atrasado”, “belê então formiguinha, manda brasa aê”, disse a cigarra enquanto afinava o violão.
A formiguinha se foi levando cinqüenta vezes o peso do seu corpo nas costas e a cigarra queimou um paiero enquanto mandava ver numa milonga paraguaia para umas joaninhas que estavam por ali.
O verão se foi e o inverno implacável chegou. As formigas se trancaram no formigueiro quentinho e repleto de comida. Lá, tinham tudo o que precisavam, mas era um tédio. Como não havia muito espaço, podiam no máximo dormir, estudar ou escutar palestras motivacionais sobre coleta de alimentos.